Cristianismo confortável x cristianismo bíblico
Tenho percebido algo que me inquieta profundamente:
muitos querem Jesus como Salvador, mas poucos O querem como Senhor.
O cristianismo que mais cresce hoje é o que promete alívio sem arrependimento, conforto sem cruz e bênção sem transformação.
Funciona bem. Atrai multidões.
Mas não se parece com o cristianismo que vejo nas Escrituras.
Dois cristianismos, dois caminhos
Existe um cristianismo que se adapta ao estilo de vida do discípulo.
E existe o cristianismo bíblico, que confronta, transforma e redefine esse estilo de vida.
Um evita desconfortos.
O outro nos chama para a renúncia.
Um preserva o ego.
O outro crucifica o eu.
O chamado claro de Jesus
Jesus nunca suavizou o convite:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mateus 16:24)
Esse não é um convite ao conforto.
É um chamado à morte do ego, à renúncia diária e à obediência custosa.
O cristianismo bíblico não começa quando tudo melhora.
Ele começa quando o “eu” deixa de governar.
Quando o conforto se torna um ídolo
O problema não é ter conforto.
O problema é precisar dele para obedecer.
Quando o conforto se torna prioridade:
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evitamos mensagens que confrontam
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chamamos arrependimento de “peso”
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tratamos santidade como exagero
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transformamos a graça em licença
E assim criamos um cristianismo moldado à nossa conveniência, não à vontade de Deus.
A fé que não custa nada
Uma fé que não custa nada, no fim, não vale nada.
O cristianismo bíblico sempre teve preço:
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No Getsêmani
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Na cruz
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Na vida dos apóstolos
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Na história da Igreja
Não foi confortável.
Mas foi verdadeiro.
Nossa realidade hoje
Vivemos em uma geração que evita qualquer tipo de desconforto.
Cancelamos o silêncio, fugimos do sofrimento, anestesiamos a dor.
Queremos um Deus que nos console, mas não que nos confronte.
Que nos abrace, mas não que nos transforme.
Só que o Jesus bíblico faz as duas coisas.
A cruz ainda está no centro?
O cristianismo confortável tira a cruz do centro e a substitui por conveniência.
O cristianismo bíblico mantém a cruz onde sempre esteve: no coração da fé.
Sem cruz, não há discipulado.
Sem renúncia, não há transformação.
Sem morte do eu, não há vida em Deus.
Um chamado honesto
Esse texto não é contra pessoas.
É contra uma versão diluída do evangelho.
É um convite para avaliarmos nossa fé com honestidade:
Estamos seguindo Jesus…
ou apenas usando Jesus para viver melhor?
Ainda há esperança
A boa notícia é que o caminho estreito ainda está aberto.
A cruz ainda chama.
E a graça ainda nos capacita a obedecer.
O cristianismo bíblico não é confortável —
mas é o único que conduz à vida.
Que não escolhamos o que é mais fácil,
mas o que é verdadeiro.





